25/07/2018 Mais de 10 mil hectares de floresta já foram destruídos na Terra Indígena Karipuna

Mais de 10 mil hectares de floresta já foram destruídos na Terra Indígena Karipuna

Sobrevoo permitiu verificar a intensificação da degradação do território – a floresta está sendo destruída silenciosamente. Foto: Christian Braga / Greenpeace.

Após sobrevoo, Greenpeace e Cimi apresentaram uma denúncia ao MPF com imagens que comprovam que a destruição é quase quatro vezes maior do que os dados oficiais mostra

 

Neste mês de julho, o Greenpeace e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi)protocolaram no Ministério Público Federal de Rondônia (MPF-RO) uma denúncia que explicita que a destruição da floresta na Terra Indígena Karipuna é quase quatro vezes maior do que os dados oficiais do Estado consideram. As análises evidenciam ainda que o processo de devastação tem se intensificado expressivamente nos últimos anos. A denúncia foi enviada também ao Ministério da Justiça (MJ), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Fundação Nacional do Índio (Funai).

 

Segundo os dados oficiais do Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes), entre 1988 e 2017, 2.823 hectares (ha) dos 152 mil hectares da Terra Indígena Karipuna foram desmatados. Sendo que 40% deste total, o que corresponde a 1.139 ha, ocorreu entre 2015 e 2017.

 

Mas são os dados de degradação (não divulgados pelo governo brasileiro desde 2014) que mostram a trágica dimensão da destruição do território Karipuna. Utilizando imagens de dois satélites diferentes, analistas de geoprocessamento do Greenpeace detectaram que, entre setembro de 2015 e maio de 2018, pelo menos 7.640 ha de floresta foram degradados dentro da TI.

 

Cabe ressaltar que dos 10.463 ha de florestas degradados e desmatados dentro da TI Karipuna desde 1988, mais de 80% ocorreram entre 2015 e 2018.

 

Leia aqui a denúncia feita ao MPF.

 

Sobrevoo e registro da destruição

 

Acompanhado de ativistas do Greenpeace e de um representante do Cimi, a liderança André Karipuna pôde constatar do alto, durante um sobrevoo realizado no início de junho, a extensa e complexa rede de estradas construídas ilegalmente para acessar o território de seu povo. Do avião, foi possível identificar amplas áreas de floresta alvos de extração de madeira e clareiras com grande volume de toras na iminência de serem transportadas.

 


Fotos georeferenciadas evidenciam áreas invadidas e o roubo de madeira dentro da Terra Indígena Karipuna

 

“Não restam dúvidas quanto à gravidade do processo de invasão e destruição do território Karipuna. O desafio agora é identificar os responsáveis por estes crimes e continuar pressionando o Estado brasileiro para que revise sua estratégia de proteção desta e de outras terras indígenas na Amazônia; especialmente em Rondônia onde, na prática, a pilhagem destes territórios virou regra”, afirma Danicley de Aguiar, especialista em Amazônia do Greenpeace.

 

A Terra Indígena (TI) Karipuna, localizada a 280 km da capital Porto Velho (RO) foi homologada pela Presidência da República em 1998. Desde setembro de 2017, mesmo diante de diversas ameaças e intimidações, lideranças Karipuna denunciam aos órgãos do Estado brasileiro a dramática realidade enfrentada pelo seu povo. Em abril deste ano, Adriano Karipuna levou o caso ao conhecimento internacional na 17ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova Iorque.

 

No último dia 12 de junho, o juiz federal Shamyl Cipriano determinou que uma ação compartilhada entre as Forças Armadas, a Polícia Militar Ambiental, a Polícia Militar, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e a Funai colocasse em prática um plano de proteção territorial à TI Karipuna.

 

De acordo com a coordenadora do Cimi em Rondônia, Laura Vicuña Pereira Manso, o que se observa é um avanço das investidas de grupos econômicos para legitimar ações de diminuição da TI Karipuna. “Se isso acontece em uma terra indígena já homologada, há o perigo de que estas investidas se propaguem para outros territórios na Amazônia, e no Brasil”, alerta.

 

Todos os Olhos na Amazônia

 

A Associação Indígena do Povo Karipuna Abytucu Apoika, o Greenpeace e o Cimi estão trabalhando juntos no monitoramento da invasão da TI Karipuna, e para que os criminosos sejam responsabilizados. Estas organizações fazem parte da coalisão “Todos os Olhos na Amazônia”, que tem como objetivo principal apoiar a luta de povos indígenas e comunidades tradicionais pela conservação de suas florestas. Outros parceiros nesta iniciativa são a Fase-Amazônia, a Coiab e a Artigo 19, no Brasil, e a Witness e a Hivos, dentre outras que atuam no cenário internacional.

Fonte: Greenpeace Brasil.


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