Investir mais em ferrovias e barcos reduziria o impacto para o aquecimento global. E pouparia vidas nas estradas.
Quando pensamos em queima de combustível fóssil reponsável pelas mudanças climáticas, a imagem que nos vem à cabeça é de um carro. De preferência, um SUV bastante beberrão levando apenas uma pessoa a bordo presa num congestionamento dentro da cidade. Sem nenhuma necessidade de poderes off-road para justificar o uso do carrão gastador. Realmente, essa imagem de desperdício está correta.
Mas o principal meio de transporte responsável pela emissão de gás carbônico, causador do aquecimento global, não é o carro. Nem o ônibus. É o caminhão.
O gráfico acima mostra isso. Ele exibe as emissões por meios de transporte no Brasil de 2004 a 2014. A linha verde são as emissões dos caminhões. A linha preta logo abaixo é a dos carros. E a linha escura em terceiro lugar é a dos ônibus.
Em 2014, os caminhões emitiram 88 milhões de toneladas de CO2 equivalente (a mistura de gás carbônico e outros responsáveis pelo aquecimento global). Já os carros emitiram 69 milhões de toneladas. O levantamento faz parte do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa, o Seeg.
O veículo individual poderia ser em grande parte substituído por meios de transporte coletivos. Ou ao menos por veículos menos emissores, como carro rodando a álcool, híbrido ou elétrico.
Em boa medida, o mesmo pode ser dito dos caminhões. O Brasil é uma aberração em modelo de transporte de cargas. Países mais desenvolvidos levam seus volumes em ferrovias ou embarcações. O exagero no transporte rodoviário leva a estradas sobrecarregadas, que sofrem com desgaste, e têm altos índices de congestionamento e acidentes. Perderíamos menos vidas nas estradas se não dependêssemos tanto de motoristas consados para levar nossas cargas e usássemos mais trens ou barcos.
A virada dos carros e caminhões aconteceu entre as décadas de 1970 e 1980, como mostra o gráfico abaixo. Foi ali que os caminhões passaram os carros como maiores emissores. A malha ferroviária antiga do Brasil não deu mais conta de atender à demanda do crescimento do país.
Os Estados Unidos têm fama de país motorizado, mas o Brasil depende mais das estradas para levar carga do que os americanos. A opção rodoviária é mais poluidora e mais cara”, disse o biólogo Luiz Pires, que fez um estudo na Fundação Getulio Vargas. “Quem paga é o consumidor e o exportador.” E as pessoas que correm perigo desnecessário nas estradas brasileiras.
Fonte: Alexandre Mansur - ÉPOCA | Blog do Planeta.