29/10/2014 ICMBio apoia ações para prevenir atropelamentos da fauna

ICMBio apoia ações para prevenir atropelamentos da fauna

Cerca de 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados todos os anos.

 

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é parceiro do Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas (CBEE), sediado na Universidade Federal de Lavras (MG), em ações para monitoramento da fauna atropelada dentro e fora das Unidades de Conservação (UCs). Essas iniciativas são desenvolvidas pelo Projeto Malha, que contempla seis das 313 UCs administradas pelo Instituto. O objetivo é diminuir a mortalidade dos animais silvestres por atropelamento.


Para ampliar o número de pessoas e instituições envolvidas na redução dos efeitos de rodovias e ferrovias à biodiversidade brasileira, foi idealizado o Dia Nacional de Urubuzar (DNU), a ser celebrado em 15 de novembro. A ideia é divulgar o problema e difundir o Sistema Urubu de monitoramento de fauna selvagem. Sobre esses assuntos, a equipe do ICMBio conversou com a coordenadora de Apoio à Pesquisa (Coape/Dibio), Ana Elisa Bacellar Schittini, e com Alex Bager, coordenador do CBEE.


Como o ICMBio tem participado de ações para prevenir o atropelamento da fauna silvestre?


Ana Elisa – Hoje, seis Unidades de Conservação participam oficialmente do projeto Malha e recebem apoio técnico do CBEE para monitorar de forma sistemática o atropelamento da fauna silvestre nas estradas que cruzam ou margeiam essas unidades. Existem ainda iniciativas isoladas dentro do ICMBio, sobre as quais não temos informação. Além disso, a Coordenação de Avaliação de Impactos Ambientais (Coimp/Dibio) trabalha na inclusão de medidas de prevenção ao atropelamento, como passagens de fauna, redutores de velocidade e sinalização, nos empreendimentos cujo licenciamento exige autorização do ICMBio. Dessa forma, interfere-se também nas situações que levam ao atropelamento de fauna em UCs e áreas próximas, no sentido de minimizar tais ocorrências. São diferentes formas de atuar na prevenção do atropelamento da fauna silvestre.


O que é o Projeto Malha?


Alex – O Projeto Malha foi concebido como um piloto. Nele o CBEE agregou mais de 20 Unidades de Conservação federais e estaduais e Reservas Particulares do Patrimônio Natural em todo o Brasil. Elas foram capacitadas segundo o protocolo elaborado pelo Centro e realizam monitoramentos sistemáticos de fauna atropelada. A partir dessa experiência, o CBEE desenvolveu uma ferramenta de coleta, gestão e análise de dados de atropelamento de fauna selvagem, o Sistema Urubu.


Sendo o ICMBio parceiro do Projeto Malha, algumas UCs já participam dessa iniciativa. Como outras Unidades podem aderir ao projeto?


Ana Elisa
– O Sistema Urubu permite dois tipos de ações: monitoramentos sistemáticos e/ou eventuais. Para se tornar parceiro, basta que as unidades tenham interesse e disponibilidade para participar e que entrem em contato com a Coordenação de Apoio à Pesquisa. Quando a UC possui pessoal e disponibilidade de veículo, sugerimos que a opção seja pelo monitoramento sistemático. Para UCs que já identificaram o problema de atropelamento de fauna, mas que não possuem equipe e/ou equipamentos, o CBEE sugere a realização de monitoramentos eventuais, os quais não possuem a mesma eficiência do sistemático, mas podem produzir conhecimento suficiente para a tomada de decisões de gestão na UC. Em ambos os casos, as equipes serão capacitadas pelo CBEE.


Leia também: A cada segundo, 15 animais silvestres morrem atropelados no Brasil



O que é o Sistema Urubu?


Alex – O Sistema Urubu é um conjunto de ferramentas tecnológicas para reunir dados de atropelamento de fauna e analisá-los para subsidiar a tomada de decisão em diferentes órgãos governamentais. O Sistema é constituído por uma ferramenta de coleta de dados. Urubu Mobile; uma de gestão, Urubu Web; e uma de visualização, Urubu Map. Os níveis de acesso e as análises disponíveis estão condicionadas ao tipo de parceria estabelecida com o CBEE. O Urubu Mobile é um aplicativo gratuito para sistemas Android e iOS, e é através dele que qualquer pessoa pode colaborar com informações de animais atropelados. Na verdade, o Sistema é uma rede social de conservação da biodiversidade e pretendemos torná-la a maior rede de conservação do Brasil.


Qual a importância de as Unidades de Conservação e os Centros de Pesquisa e Conservação participarem do levantamento de atropelamentos que é sistematizado no Sistema Urubu?


Ana Elisa – O Urubu integra uma rede de coleta de dados. Quanto mais Unidades de Conservação, Centros de Pesquisa ou mesmo cidadãos, individualmente, participarem da coleta de dados de atropelamento, mais dados serão gerados e maior será a capacidade de analisar o problema dos atropelamentos. Quais são os locais mais críticos? Isso pode indicar locais onde as populações naturais estão sendo mais afetadas pelas perdas por atropelamento. Para ter certeza disso, é preciso ir mais fundo nas análises e associá-las a outras pesquisas, mas já é possível ter um sinal de alerta! Isso é muito importante em um órgão que precisa tomar decisões todo o momento, usando as informações que se encontram disponíveis!


Qual a proposta do Dia Nacional de Urubuzar?


Alex – O Dia Nacional de Urubuzar tem dois objetivos: sensibilizar a população sobre os impactos de rodovias e ferrovias na biodiversidade e informar que todos podem ser um parceiro do Sistema Urubu se utilizarem o Urubu Mobile. Desta forma, o CBEE se juntou a vários parceiros e estruturou um grande evento descentralizado e que será realizado em mais de 100 pontos focais em todo o Brasil.


Como as UCs e Centros de Pesquisa podem participar?


Alex – Foram desenvolvidos vários materiais para o DNU e para períodos futuros. Esses produtos são folder, adesivo, cartilha e cartazes. Além desses materiais, as UCs e Centros tem toda liberdade para idealizar outros produtos e ações. Em resumo, pretendemos que o maior número de UCs e Centros mobilizem uma equipe para realizar ações junto à comunidade. Essas ações podem variar desde uma simples distribuição dos folders até atividades de educação ambiental com comunidades e visitantes, blitz junto com a polícia rodoviária, entre outras. As equipes têm total liberdade para propor ações. Todos os interessados devem contatar o CBEE e assim podermos organizar o envio de materiais.


Unidades participantes do Projeto Malha


Os Parques Nacionais da Serra dos Órgãos (RJ) e da Chapada dos Guimarães (MT); as Reservas Biológicas União (RJ) e Guaribas (PB) e as Florestas Nacionais de Silvânia (GO) e de Piraí do Sul (PR) já participam do Projeto Malha. No III Congresso Brasileiro de Ecologia de Estradas, representantes das UCs participaram de um workshop do Projeto. Na ocasião, além de compartilharem informações, os representantes de cada UC receberam uma armadilha fotográfica e um termohigrômetro para medir, respectivamente, o fluxo de veículos e a temperatura e umidade do ar nas rodovias monitoradas, fatores que podem influenciar na taxa de atropelamento observada. O objetivo é compreender melhor essas taxas em cada sítio do projeto e qualificar as análises dos dados coletados até então.


O Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas disponibiliza para download a cartilha "Dê Passagem para a Vida", disponível em http://migre.me/mk94T. As UCs e os Centros que tiverem interesse em participar do Dia Nacional de Urubuzar e receber materiais para realização de atividades devem preencher o formulário disponível em http://migre.me/mkk97.

Fonte: Ivanna Brito / ICMBio.




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