22/10/2014 A conexão ambiental do vírus Ebola

A conexão ambiental do vírus Ebola

Ataque de vírus do Ebola (azuis) a uma célula de macaco, em imagem dos laboratórios do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. Foto: NIAID/Flickr.

Inúmeras doenças de destaque neste começo de milênio são fomentadas pela degradação ambiental, seja pela poluição e a falta de saneamento (câncer, doenças respiratórias, diarreia, desnutrição crônica), seja pelas mudanças climáticas (malária, dengue, febre amarela, cólera). A destruição do meio ambiente também tem vínculos com a principal pandemia dos últimos 40 anos, a Aids. Há estudos que indicam como a miséria associada às áreas com recursos naturais mais degradados obriga meninas e mulheres a se prostituirem, muitas vezes sem proteção, disseminando a síndrome. A devastação também pode levar a uma  desnutrição profunda, que compromete o já frágil sistema imunológico dos portadores do vírus.


Essas conexões também podem ser vistas no caso da epidemia do vírus ebola, que já matou cerca de 4.500 africanos e começa a fazer vítimas em outros continentes. Edições recentes das revistas Newsweek e Mother Jones aventam o papel dos humanos na expansão da doença letal. As duas publicações percebem uma sobreposição dos mapas de desmatamento e ocorrências climáticas extremas e as áreas focais de disseminação do vírus.


O Oeste da África, epicentro das mortes associadas ao vírus ebola, passou por uma fase recente de intensa remoção de florestas. Com o esgarçamento da vegetação, um maior número de pessoas tem acesso a animais silvestres portadores do vírus, sejam eles morcegos ou gorilas. Além disso, relatório publicado no ano passado pelo International Food Policy Research Institute, centro de pesquisa dedicado ao combate à fome,  indica que as mudanças climáticas estão promovendo uma onda de secas, ventanias, deslizamentos de terra, inundações e mudança de padrões de chuvas em Serra Leoa. Esses fenômenos climáticos reforçam a pobreza e a necessidade de se procurar alimento, muitas vezes infectado, nas florestas.


“Os humanos são o maior fator promotor de doenças emergentes”, diz Jonathan Epstein, epidemiologista da não-governamental EcoHealth Alliance, entrevistado pela Newsweek. Ele se especializou no estudo do ebola e outras doenças infecciosas. “A expansão da agricultura e o desflorestamento, bem como as viagens e o comércio alteram o meio ambiente e permitem que patógenos passem dos animais hospedeiros para as pessoas e daí comecem a viajar pelo mundo”. Só tenho a acrescentar o planeta tem uma capacidade de defesa gigantesca e mecanismos capazes de descartar seus predadores com eficiência. Boa sorte a todos nós, predadores.

Fonte: Regina Scharf / Página 22.




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